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O Fabuloso Destino de Cati

O meu nome é Catarina. Tenho 30 anos e sou enfermeira de coração. Sou uma eterna inconformada e desejo viver todas as horas de todos os dias intensamente. Este é o meu espaço no mundo digital. Sejam bem vindos.

O Fabuloso Destino de Cati

O meu nome é Catarina. Tenho 30 anos e sou enfermeira de coração. Sou uma eterna inconformada e desejo viver todas as horas de todos os dias intensamente. Este é o meu espaço no mundo digital. Sejam bem vindos.

Adeus amigo TO

29.03.18 | Cati

Querido amigo TO, foste exemplar nos anos em que tiveste ao meu lado. És um refúgio de memórias que não voltam e em ti está o cheiro de pessoas que nunca mais por aqui passarão. 

Foste corajoso, quando resolvi fazer a primeira viagem após ter tirado a carta de condução. Subir a serra do Caramulo com tanta chuva não era para qualquer um. Também foi contigo que fui para a Universidade, fazendo os primeiros estágios e ganhando cada vez mais coragem para as grandes cidades que aí vinham. Nunca me deixaste mal. Nem considero aquela vez em que tal como eu estavas "constipado" e tivemos de recarregar ambos, as baterias. 

Não me posso esquecer que nunca gostei da tua cor. Não quero parecer racista, mas tu, lentamente te foste descascando para que eu, um dia te pintásse de novo. 

Acompanhaste-me em muitas primeiras vezes. A primeira vez que fui para Lisboa sozinha. E tantas outras vezes, em que só a solidão daquelas imensas 3 horas de viagem se cruzavam com lágrimas de tristeza e de alegria. 

Já não suportava ouvir a rádio. Eram sempre as mesmas músicas, porque resolveste encravar um cd da floribella e eu nunca mais te arranjei. Vou ter saudades disso.

E aquelas vezes em que me levaste sozinho para casa? Sabias o caminho de cor. Foste leal.

Levaste demasiadas apitadelas naquela cidade, foste massacrado e quase nunca ninguém pediu desculpa. Ansiavas sempre voltar a "casa" para seres tratado como um rei por seres um fiel guardião, mesmo quando as tuas luzes teimavam em fundir.

Foi contigo que dei o primeiro toque no carro da frente e abri uma "ferida" na parte de trás. Tu és o último exemplar de família feliz que tive. O meu pai a ensinar-me a conduzir-te naquelas tardes de Domingo.

Aqui começa a vida adulta. A primeira compra de um carro novo não se esquece. Mas não quero que te esqueças também de mim. Resolvi dar-te nova vida. Alguém que provavelmente também vais dar as primeiras experiências.

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 RIP 29.03.2018